Palavras a serem compartilhadas…

31 08 2007

Esse eu retirei do site da sala da faculdade, que por sua vez, remete ao blog http://mensoge.zip.net

Lições do Motorista

Esses dias peguei aqueles microônibus, onde o motorista é o cobrador. Por falta de troco tive que ficar ali na frente, o cara era desses que não tem tempo ruim, conversa com presidente e mendigo, gente fina.

Eu tava com uma cara amarrada, irritado.

Ele vira pra mim e diz:

“- Eu era que nem você, guardava as coisas pra mim, ficava de cara feia, mas mudei…”

Não tava mesmo afim de papo, queria ficar ali de boa, olhando a paisagem, me remoendo.

Foi aí que ele começou a me contar uma história, e me vi quase que obrigado a prestar atenção.

Ele estava no fim do expediente, cinco horas da tarde, aquele inferno de gente entrando e saindo, e se apertando, quando entra uma mulher xingando ele, dizendo que ele era um “preto incompetente, motorista de merda, que tinha atrasado.”

(Ai eu quis prestar mais atenção, odeio discriminações, tava esperando a parte que ele saía do volante e ia espancar essa filha da puta.)

Ele sossegado, apenas sorriu.

Depois de uns 20 minutos a infeliz dá um berro de trás da catraca:

“-Ô motorista, onde é o final desse ônibus?”

Rindo muito ele me disse que respondeu:

“-No para-choque traseiro minha senhora!”

Depois que as risadas dos outros passageiros se acalmou ela resolveu insistir:

“-Que ônibus que é esse então?”

De novo com a mesma alegria ele encena pra mim:

“-É um Mercedes.”

Respondeu o motorista, pra delírio geral dos passageiros.

Resmungando ela voltou a se sentar.

Mais algum tempo e ainda insistindo em fazer mais perguntas depois da sua entrada triunfal:

“-Esse ônibus sobe o viaduto?”

“-Sobe…mas só até a metade.”

“-COMO ASSIM???”

“-Depois ele desce…”

Aí nem precisei imaginar os passageiros daquele ônibus rindo, algumas pessoas sentadas próximas riram uma risada meio presa, meio que com vergonha de também estar prestando atenção na conversa.

Daí em diante foi uma alegria só, uns passageiros começaram a contar causos engraçados, ele contou mais alguns…

Mas antes de eu descer, ele disse pra mim.

“-Não carregue a maldade das pessoas com você, tem que isolar o coração e refletir com sorriso. Vivo muito bem assim graças a Deus.”

 

E eu espero saber viver assim também, graças a ele.





A justiça, afinal, não é tão cega quanto parece…

31 08 2007

Recebi por e-mail e compartilho com vcs:  

Despacho de um Juiz de Palmas/Tocantins.

 DESPACHO POUCO COMUM

A Escola Nacional de Magistratura incluiu, na sexta-feira (30/6/06), em seu banco de> sentenças, o despacho pouco comum do juiz Rafael Gonçalves de Paula, da 3ª Vara Criminal da Comarca de Palmas em Tocantins.> A entidade considerou de bom senso a decisão deseu associado, mandando soltar Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon> Rodrigues Rocha, detidos sob acusação de furtarem duas melancias:> DECISÃOTrata-se de auto de prisão em flagrante de Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha, que foram detidos em virtude do suposto furto de duas (2) melancias. Instado a se manifestar, o Senhor Promotor de Justiça opinou pela manutenção dos indiciados na prisão.

Para conceder a liberdade aos indiciados, eu poderia invocar inúmeros fundamentos: os ensinamentos de Jesus Cristo, Buda e Ghandi, o Direito Natural, o princípio da insignificância ou bagatela, o princípio da intervenção mínima, os princípios do chamado Direito alternativo, o furto famélico, a injustiça da prisão de um lavrador e de um auxiliar de serviços gerais em contraposição à liberdade dos engravatados e dos políticos do mensalão deste governo, que sonegam milhões dos cofres públicos, o risco de se colocar os indiciados na Universidade do Crime (o sistema penitenciário nacional)… Poderia sustentar que duas melancias não enriquecem nem empobrecem ninguém.

Poderia aproveitar para fazer um discurso contra a situação econômica brasileira, que mantém 95% da população sobrevivendo com o mínimo necessário apesar da promessa deste presidente que muito fala, nada sabe e pouco faz. Poderia brandir minha ira contra os neoliberais,  o consenso de Washington, a cartilha demagógica da esquerda, a utopia do socialismo, a colonização européia… Poderia dizer que George Bush joga bilhões de dólares em bombas na cabeça dos iraquianos, enquanto bilhões de seres humanos passam fome pela Terra – e aí, cadê a Justiça nesse mundo? Poderia mesmo admitir minha mediocridade por não saber argumentar diante de tamanha obviedade. Tantas são as possibilidades que ousarei agir em total desprezo às  normas técnicas: não vou apontar nenhum desses fundamentos como razão de decidir. Simplesmente mandarei soltar os indiciados.Quem quiser que

escolha o motivo. Expeçam-se os alvarás. Intimem-se.Rafael Gonçalves de Paula

 Juiz de Direito





28 08 2007

Ela até tinha acordado bem. Começou o dia se espreguiçando e sorrindo, coisa rara. Pulou da cama, se arrumou e saiu no horário. Cruzou com o mocinho no trem, mas ele nem tem mais tanta importância. Se encaminhou ao trabalho ouvindo Maskavo, e Tuatha de Danann.

Que ar pesado…

Reuniões, assembléias, mau humor. Uma correria estressante e ninguém lembrava de pelo menos dizer bom dia.  Ela olha tudo aquilo e não entende como as pessoas podem aceitar uma vida assim.

Não, essa vida não é pra ela. Mas ainda não é hora de renunciar a isso. Sabe que tem que esperar mais um pouco, pensar direito, para não meter os pés pelas mãos.

Não quer lembrar dos preconceitos que tem, mas é tão claro, que até quem não a conhece pessoalmente percebe. E ela fica triste…

A reconforta o “boa noite”, o beijo de despedida pela web, um sorriso numa foto. Se apega a coisas efêmeras, pois não há nada real que valha a atenção. Sonhar é mais bonito que viver. Por isso o Second life faz sucesso.

Todos um dia seremos avatares do Second life. Ninguém mais vai sair de casa, todos estarão conectados a cabos que enviarão as imagens diretamente aos seus olhos. A sociedade será digital, e o que foi imaginado no filme Matrix será a realidade.

Mas enquanto não chega essa época, ela quer viver os sentidos. Os toques, o beijo, o cheiro. Ela é muito ligada à tudo isso, e não vê a hora de poder sentir de novo.

Acorda de seu devaneio, vê a mesa com duas pilhas de papéis, a sala cheia de caixas. Suspira e continua. Pq o que resta é continuar…





Vai trabalhar vagabundo!

24 08 2007

Trabalhar? Quem disse que eu quero trabalhar? Eu quero ganhar dinheiro, mas só pq o mundo é capitalista.

Se eu não precisasse de dinheiro pra fazer tudo o que mais gosto (comprar livros, ir ao cinema, chacoalhar a cabeleira num bar, viajar) eu realmente não me importaria em viver, fazer o bem não importa a quem, mascar capim na beira de um riacho, deitar na grama de barriga pra cima e olhar as nuvens, caminhar na areia da praia, balançar num balanço qualquer, numa praça qualquer, ver o pôr-do-sol, canta cantigas de roda, ler e suspirar. Tudo aquilo que os comerciais dizem que é uma vida feliz. 

Mas o dinheiro me obriga a, durante 12 hrs do meu dia, descontando locomoção e almoço, ficar enfiada em lugares que nem sempre me agradam, fazendo coisas que normalmente não estaria fazendo, com pessoas que não fazem falta. 

Agora entendo pq os adultos não querem crianças participando da conversa deles: ouvir lamúria, insatisfação, indignação, geraria na criança o sentimento de infelicidade que só acontece quando nos tornamos adultos.

“Ah, se eu soubesse que ser adulto é tão chato, jamais teria desejado fazer 18 anos.” Quem de nós já não teve pelo menos uma vez, um pensamento assim? Já ouvi amigos dizendo que não acham chato ser adulto. Gostaria de ver a graça que eles vêem. Quando eu tinha 16 anos fazia tudo o que faço agora, só não trabalhava. E era feliz, como era feliz!

Mas agora, “felicidade foi  embora e a saudade no meu peito, inda mora” , como dizem os versos da linda canção de Lupicinio Rodrigues, e fico aqui, 12 hrs por dia tentando achar sentido útil, pra mim, em tudo o que faço.

Pq estudar eu estudo pra arrumar um trabalho melhor, pra ter mais dinheiro pra pagar as contas, que muitas vezes nem são minhas, já que as minhas eu tenho que ficar contando centavos todos os mês pra saber se sobra pra coxinha e a tubaína no fim de semana.

É bem aquela coisa do cobre a cabeça e descobre os pés, sabe?

Já tentei jogar na megasena pra resolver esse problema, mas começo a achar que premiação da megasena é tão certa como resultado de pesquisa de opinião sobre aceitação do Lula. Sempre gera dúvida.

Enfim, ainda tenho 6 hrs de trabalho, e mais 4 de faculdade. Foi um prazer enrolar com vocês.

Ouvindo: Kiss Fm (se quiser saber o que toca, ouve tb! =P)





“O que os olhos não vêem, o coração não sente”

24 08 2007

Sexta feira linda de uma semana que passou por mim.

Sem e-mails pela manhã, sem olhares no trem (hoje ele tinha companhia), o dia começou mais sonolento que o normal. Comecei a ler o texto de sociologia, mas além de ser o texto errado, o som do Dream Theater no mp3 era mais interessante. Sentada, vim sem conseguir pensar em nada, num incômodo que não entendi até agora.

Na entrada do Inferno, citado na obra de Dante “A Divina Comédia”, está escrito: Deixai, ó vós que entrais, toda esperança! Um amigo me trouxe a luz esta frase, e ainda aludindo à Dante, questionou-me sobre o fato de no poema, Dante adentrar o inferno em busca da amada Beatriz. “Valeria então a pena de entrar no inferno em busca do amor?”

Respondo aqui Duque, sua pergunta: Se nosso fim é a morte, pq não morrer no torpor do amor? Se sofrer por amor é mais bonito – dizem os poetas – pq não fazê-lo de forma consciente?  Sim, Duque, vale a pena, vale a alma, vale a vida! Pois o que é a vida sem amor, senão um caminhar errante por entre almas encarnadas?

Ah, a graça da vida quando se está apaixonado! Daria agora minha alma, sem a menor dúvida, pelo direito de amar novamente! E de ser amada também. A vida é um fardo quando carregada sozinha.

O prazer de viver um amor encantador, cheio de poesia, cheio de romance, um amor de momento, ou pra vida toda. Amar por amar, sem culpas, sem cobranças, sem esperanças.

Hoje eu entendo pq existem os amantes.

Ouvindo: Kiss Fm – às vezes toca algo romântico, mas exatamente agora toca All Night – Van Morrison (adoro!)





Esse eu queria ter escrito…

24 08 2007

Retirado de: http://penedo65.wordpress.com

TELEFONEMA – EM UM ATO

23 08 2007

telefone

(O telefone toca. Alguém atende.)

 Alô.

Como vai?

… escrevendo minhas elegias…

O pendor pela tristeza não te escapa, heim?

Por que você não vai à merda?

Ah ah ah ah, então há um  sopro de vida neste corpo!

Ainda está aí?

Tudo bem, desculpe

… agora a mansidão cristã pede espaço…

Desarma, aí, meu!

O que você quer?

Conversar, oras.

Perguntou primeiro se eu queria? Quem sabe eu não quero ficar só em paz, ruminando as minhas mazelas?

 Tudo bem, vou desligar.

Você é quem sabe…

Levanta, cara, qualé?!

Pra você é fácil dizer isso. Não é você que está se despedindo.

Pelo que eu me lembro, antes mesmo de você começar a se despedir, já era esse chato de galocha.

… ótimo epitáfio…

Ainda assim, sou ainda seu melhor amigo, por menos que isso, eu já tinha batido ao telefone na cara de qualquer um.

Nossa, quanta consideração. As pessoas ficam assim mesmo, mais cordatas e perdoadoras quando se dirigem aos moribundos.

Putz! Vai morrer, vai!

Independente do seu desejo, já estou indo mesmo. E quer saber? Em boa hora. Não há mais doce nem sal, nem prazer nem desejo, eu só quero o alívio, nada mais. O resto é solidão, preguiça e mal humor.

Parece que se morre antes do fim, né?

Começou a falar na minha língua…

Mas eu não tô querendo ser mais um passageiro na canoa de Caronte não, he he he.

Mais cedo ou mais tarde você vai também…

Sei disso, mas pode ir primeiro.

A sua ironia é um deleite.

A sua é um dissabor.

O bom mesmo de se estar para morrer é que nada mais tem importância. A gente pode falar toda a verdade uma vez na vida, antes de morrer…

Quer dizer que a vida é uma grande mentira?

Na maior parte, mera conveniência…

E a morte é a grande verdade?

… inelutável, inadiável, definitiva…

Que terrível, heim?

Terrível é viver. 

(após alguns instantes de silêncio, os telefones são repostos em suas bases.)





Surpresa!

17 08 2007

Nossa, quase cai de costas agora! 

To tranqüilamente ouvindo a Kiss fm, como faço todos os dias e de repente a locutora anuncia: e agora, uma banda do cenário independente, Ludov! 

Repito, quase cai de costas! Caracas, eu adoro Ludov! Tudo bem que não acho que seja  banda pra tocar na Kiss (underground não é classic, por mais que classic já tenha sido underground), mas entre My Chemical Romance e Ludov, meu voto vai pra Ludov sem direito a contestação! 

Pô, som que faz parte de uma das melhores épocas da minha vida, e a música que tocou, chamada Princesa, embalou várias noites de volta pra casa. Era a época q eu mais pensava em morar sozinha, então imagina ouvir o refrão: “… E no seu apartamento, ela se esquecia de tudo. Parecia uma princesa… Não se importava com o resto do mundo e largava os pés em cima da mesa…” Era meio que um prelúdio pro que certamente aconteceria. Pena que o apê não rolou. 

Mas não só essa música, como todo o restante do EP, que se não me engano, chama Dois a rodar, tocou por muito tempo e ainda toca algumas vezes lá pelo meu cantinho. Fui em alguns shows, onde gostei mais ainda da banda, pois tem simpatia, presença de palco, os caras tocam muito bem, e merecem todo o sucesso que já tem e vem por ai.   

Ouvi em algum lugar que eles optaram por continuar na cena indie (lembrando aos desavidados, que apesar de algumas RARAS exceções, tenho uma enorme aversão por indies. Explico: indie é o emo que cresceu.), pois querem manter o público.  

Bom, depois desse cd, eu parei de curtir a banda. Motivo: O classic rock entrou em mim por todos os poros, tomou minha alma e não sai mais de mim.  

Long live for rock’n roll!





16 08 2007

“… Talvez por isso com o tempo passemos a esquecer as orações de nossa infância e aí a gente acabe se transformando nesses adultos solitários, falsamente auto-suficientes e melancólicos que somos hoje.” – Retirado do blog “atire no dramaturgo” Linkado ai do lado. Post de 14/08/07

  Não quero escrever. 

Não quero colocar no papel nada que diga respeito ao que penso ou sinto no dia de hoje.

Não quero dizer que acordei com dor no corpo, torcendo pra que fosse sábado.

Não quero pensar no que tenho que fazer durante o dia.

Não quero me olhar no espelho e começar a ver meu rosto se deteriorando com a semana.

Não quero sair de casa.

Não quero perceber que perdi o trem que não podia ter perdido.

Não quero contar o quanto achei a manhã linda.

Não quero dizer bom dia.

Não quero abrir a boca.

Não quero comer frango.

Não quero lembrar  de que desejava mesmo estar na estrada.

Não quero ouvir rádio, mas também não quero ficar em silêncio.

Não quero existir. Hoje não.

Não quero olhar aquela bota linda na vitrine, e lembrar que não tenho dinheiro.

Não quero sentir dor. (física, é dia de depilação. Mas não quero contar isso.)

Não quero deixar morrer o pouco de humano que me resta.

Não quero acreditar que não exista solução.

Não quero acreditar que o Elvis morreu! 30 anos sem o rei. = (

Não quero lembrar que to ficando velha.

Não quero lembrar que o timão finalmente ganhou duas seguidas, e ainda por cima, de virada!

Não quero dizer que apesar de tudo, optei por ter um bom dia hoje.

Não quero deixar de querer. 

Mas nem sempre fazemos o que queremos.  

Ouvindo: Nenhum de nós – Eu caminhava

“ … Eu caminhava e fingia que conhecia as pessoas, e fingia que gostava de alguém, e fingia que o tempo passava…”





15 08 2007

L Descobri que te amo a (té) (te) perder (endo)  de vista. M





Quero te conquistar, um pouco mais e mais a cada dia…

14 08 2007

Há uma nesga de paixão em meu coração, que me mantém feliz de segunda à sexta.  Apareceu com a flecha do cupido, única explicação. De repente, não mais que de repente, já não era mais tão chato pegar trem pela manhã.

4 meses. Ou mais. E eu só me dei conta na sexta, rs.

Manhãs ensolaradas, mesmo geladas. Foda-se Ligado, e a vida segue.

Poesias, Marçal Aquino e Bruna Surfistinha no CCBB. Não poderei ir, mesmo me programando com semanas de antecedência. Presa à horários, detesto isso.  Esse limite de vida imposto pelo sistema. Concordo com Weber: O sistema está falido e fadado à morte.  Resta-me esperar, ou aproveitar enquanto há tempo!

Show do Scorpions e falta grana, falta vontade, falta companhia. Poxa, tem que ter algo de bom. Tomara que goste de rock, tomara!

Hoje queria me dar o direito de ser menininha. E ficar neste momento, abraçada com meu ursinho. (Sem entrelinhas. Quis dizer o que está escrito).

Ouvindo: Black Night – Deep Purple