Entre a Cruz e a Espada

25 01 2008

Díficil. Preconceito. Indignação. Uma certa dose de raiva e intolerância. Voilá! Tenho aqui justificativas ridículas para o fato de não ter tomado a iniciativa e começar a trabalhar de forma voluntária no meu bairro. Simplesmente, não gosto dele.

Não gosto das pessoas que moram aqui, não gosto da falta de noção das pessoas do bairro, da falta de higiene, da falta de educação (não por culpa deles, admito). Não gosto. Moro aqui há 28 anos, e hoje conheço menos dele do que do centro de SP. Me perguntem como está o centro, e digo todas as mudanças que aconteceram nele nos últimos 5 anos, pois as conferi “in loco”. Do meu bairro, sei o que mudou pq meus pais dizem, meu irmão diz… A única coisa daqui que me importa é não ter obstáculo entre a minha casa e a estação de trem, que fica há 5 minutos. Isso é o que me leva a “civilização”.

Meu bairro é o maior reduto nordestino fora do nordeste. E do nordeste eles trouxeram apenas o pior: essa forma de aceitar morar em qualquer cantinho, a falta de cidadania, a falta de respeito, uma certa acomodação com a situação em que vivem, e uma falta de higiene que me incomoda mais do que tudo. Basta frequentar os lugares de SP onde se encontra a maior concentração desses imigrantes, para perceber o cheiro e a sujeira desses lugares. Se hoje temos um centro velho tão degradado, a culpa não é só do governo, mas também dessa parcela da população que não entende que rua não é lixeira ao ar livre. Enfim, isso me incomoda e acaba com a cidade.

E por tudo isso que eu citei acima, como eu, logo eu, vou conseguir trabalhar voluntariamente no meu bairro, com essas pessoas que não conseguem ou não fazem o menor esforço pra entender que o espaço delas acaba quando começa o meu, e vice-versa? Essas pessoas que se dizem excluidas, mas sentam o bundão toda à noite na frente da TV pra dizer boa noite pro Willian Bonner e pra Fátima Bernardes? Da TV elas não estão excluídas.
Porque elas não pensam pelo menos por um momento, em desligar a tv, em olhar pra sua rua, pra sua casa, em olhar pra ela mesmo na frente do espelho e perceber que ela pensa! Que tem consciência… e percebem o Medo… Elas não sabem o que fazer com essa consciência. Então, quando descobrem, guardam novamente na caixinha e colocam no fundo do guarda-roupa.

E talvez por isso eu deveria ser voluntária e mostrar que a consciência não morde, e que não precisam ter medo dela. E pra isso, também não precisam abandonar o futebol, a TV , o W.B. e a F.B. Basta saber que nem tudo que tá ali é verdade, e que até o boa noite deles pode ser questionado.

Eu também tenho medo. Medo da intolerância que em algum lugar da minha vida aprendi a ter. De nada adianta minha consciência, se eu usei e guardei de novo na caixinha.

Eu vou pro inferno. Eu sei. :-(





Série de Quinta (Mas é de primeira)

18 01 2008

Dr. House 

Quinta à noite é dia da minha série predileta (depois de Lost, claro): Dr. House.

Comecei a assistir unicamente pelo meu vício em séries, sem antes ter lido sobre, ouvido falar ou qualquer menção. De bate pronto, me apaixonei!

O Dr. Gregory House é um médico completamente fora do padrão. Com certeza, com uma avaliação detalhada, seria afastado ad eternum da profissão, não podendo se quer aproximar-se de um hospital. Só que o cara é bom. O cara é muito bom. E seu excesso de conhecimento compensa sua falta de ética. E que falta absurda! Ele não tem a menor consideração com o paciente, por acreditar que os pacientes não devem ter grandes contatos com o médico, nem manter muita intimidade. Acha que isso não benificia em nada o tratamento, até atrapalhando o médico nos diagnósticos e escolhas dos tratamentos.

Mas House é humano. Humano como todos nós e como seus pacientes. Essa sua aparência de “Foda-se, não me importo com vc”, (na verdade não só aparência, ele não se importa mesmo) esconde também a falta de jeito de lidar com agradecimentos e sentimentos.

Fica claro em diversos episódios essa dificuldade do House em lidar com a atenção e os agradecimentos de seus pacientes, de perceber que eles sentem o quanto ele foi importante para eles.

House é prepotente, egocêntrico, anárquico, individualista, frio, mal-humorado, sarcástico, usa drogas (tudo bem que é pela perna, mas ela vicia e causa barato nele) e é super inteligente. É o melhor médico do hospital e resolve problemas até por telefone! Quem não teria um médico desse em seu hospital?

Fora o maravilhoso gosto por blues, música clássica e alta velocidade… Sabem qual a melhor parte do seriado pra mim? Sempre o final, sempre.

Não quero me alongar muito, pq enche o saco ficar lendo pelo computador, mas se vcs estiverem interessados, procurem informações na nossa biblioteca on-line (a internet) ou então aluguem as temporadas, que estão disponíveis nas locadoras. Ou baixem mesmo, que tem todas na net, já legendadas.





Dia

14 01 2008

PQP! Que preguiça de escrever! E não é falta de assunto não, é falta de paciência mesmo pra explicar minhas idéias… Saco, detesto quando isso acontece. ¬¬

Tá caindo um dilúvio por aqui, e não tem coisa mais gostosa do que ver isso pela janela do meu quarto, ouvindo música e tomando sorvete com cereja, numa segunda-feira! (Perdoem se deixo vocês com inveja. :P )

Big brother é algo demente, não? Impossível assistir aquilo por meio segundo, que dirá uma hora! Não consegui, não há inteligência que resista. Prá ver aquilo, só sendo anencéfalo. Pior é acreditar na “idoneidade” dos participantes. Claro, claro, é explicito a igualdade de possibilidade deles. Todos ali tem as mesmas chances, e é o povo que escolhe o vencedor. Ah, vc escolhe o presidente tb? Ainda acredita em conto da carochinha? Acha mesmo que o homem foi a lua? tolinho…

Mudando de assunto, vi uma reportagem essa semana sobre um pedreiro, analfabeto funcional, que criou uma biblioteca comunitária. Fico puta da vida por nunca ter um bibliotecário metido nessas coisas. Vergonha!

Eu tô tentando, podem até meter o pau em mim, mas eu tô tentando abrir uma no meu bairro. Já tenho o espaço e tenho a vontade, o que já é um grande começo. Falta o tempo, por causa da facul, mas eu sei que eu consigo, mesmo com pouco tempo.

Eu sempre tive um desejo de ajudar, participar do voluntariado e coisas do tipo. Infelizmente, de todos os anos, esse será o mais complicado pra isso. Mas eu não perco a fé, não. Sei que um dia eu consigo.

2008 tá com um cheirinho de ano bom…

Wow, deu uma vontade de ler Clarice Lispector agora… E eu não tenho nada dela… :(





Fazer o quê?

8 01 2008

Ah, como é bom ficar em casa! Como eu estava precisando desses momentos, nossa!
Por mim, me mantinha mais um ano assim, mas as contas não param de chegar, e voltar ao trabalho é necessário. Mas não vou achar ruim se demorar mais um mês… rs

Todos deviam ter o direito de se dar ao direito uma pausa. Do tempo que fosse necessário à cada um. Tem gente que fica bem uma semana em casa, outras precisam de meses. Tem gente que prefere não parar, mas eu acho que essas são as que mais precisam.

Depois do tempo necessário pra limpar a mente (com uma ajuda fiel e forte da tv), agora consigo ler as tirinhas do Calvin de novo, e até leituras mais complexas. Na verdade, tirei esses dias pra colocar em dia as leituras de 2007: os exemplares da Bravo! que não tinha lido, os livros que comprei e encostei, os que comecei e não terminei.

No momento, como é de praxe, leio três: Como Trabalhar para um Idiota – Jonh Roover, Chica da Silva – Agripa Vasconcelos e Fahrenheit 451 – Ray Bradbury. Nenhuma leitura filosófica, mas também não dava, né?? Começar direto com coisas complicadas ia fundir minha cuca de novo, e esse ano vai ser porreta! rs

Aaaaaaaaaaaaaahhhhhhh… Nem acredito que é o último ano da faculdade! Só mais 2008, e sou uma bibliotecária!! É pra ficar feliz? =P rs, é sim, estou contente com a profissão e vejo uma renovação vindo ai bem logo! Parabéns a todos os formandos, recém formados e ingressantes na profissão. Dá pra sentir de longe o cheiro de sangue novo e ativo nas faculdades! \o/

Enquanto a facul não recomeça, tô aqui, curtindo amigos, namorado, família, cachorros, etc, e aproveitando os dias, antes apenas imaginados e suspirados. Ficar sem nada pra fazer é bom demais!!! hahahha

Ah, e só pra desencargo de consciência: a falta de textos não é necessariamente uma falta de idéias. O problema é que em casa tenho muito mais influências externas, o que me mantém longe do computador mais do que em qualquer outro lugar. A tv tem sido uma delas. Os livros e revistas tb, mas são benéficos. Hoje vou chegar ao ápice da mediocridade: jurei que vou assistir o big brother 8, sem perder nada! Até o ppv! rs Isso faz parte de um estudo do comportamento dos humanos do meu bairro. Quero entender como eles são felizes com o que tem. Estudo de campo, entendem?? =p

Me vou-me. Vou sentar ali na sala agora, ver malhação e só saio da globo pra ver CSI na Record, rs.